Um distinto poeta que aqui residiu e compôs alguns dos seus
mais inspirados versos, escreveu:
"No seu aspecto geral, nas opulentas espécies arboreas que
a povoam, nas bellas quintas que
a adornam e pela frescura e pureza atmospherica que se mantem naquela
altitude, a Camacha
é a localidade, talvez única, que maior semelhança offerece e mais
pontos de contacto tem com
a freguesia do Monte, denominada a Cintra madeirense.
É o Monte, visto por uma lente augmentativa, ampliado nas
dimensões dos seus panoramas,
com estradas mais vastas e planas e horisontes mais bellos e dilatados,
abrangendo as
freguesias do litoral - Caniço e Gaula, que se desenrolam a seus
pés numa depressão gradual
e sucessiva do solo, delimitada pelo oceano .
Em baixo, no litoral, a auzencia de árvores florestaes, lá em cima a
topear com a serra, a Camacha, os immensos pinheiraes, os bosques de frondentes
robles, onde vegetam promiscuamente o carvalho, o castanheiro, o cedro,
o til, o folhado, o loureiro, a faia, a tilia, o sovereiro, o pau de mil
homens, a árvore de prata, e diversas outras espécies indígenas e exóticas,
provavelmente ali implantadas pelos primeiros fundadores de quintas, na
sua maior parte estrangeiros ricos, que outr'ora tinham por aquella pittoresca
localidade a maior predilecção".
in Elucidário Madeirense
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